Colheita em Tempos de Seca
Vozes do Campo com Dan Baron Harvest in Times of Drought cultivating pedagogies of life for a sustainable communities

cultivando pedagogias de vida por comunidades sustentáveis

Aqui, no berço da industrialização da Amazônia, chegamos talvez à beira do drama final da história humana: um limiar entre a seca aterrorizante e uma nova madrugada reflexiva. Nós, que vivemos a íntima violência cotidiana das desigualdades agudas, do comunicídio desenraizador e do transtorno ecológico do paradigma falido da competição, podemos criar a tempo um projeto global capaz de cultivar um novo paradigma de cooperação e comunidade sustentável?

Em pleno pânico de um mundo sem futuro, crianças e jovens já se refugiam em comidas industrializadas, comunidades virtuais e paraísos de autoconsumo. Os pais se recuam em fatalismo desensibilizado, cientes de que o consumo verde, a industrialização da criatividade e a tolerância zero não resolverão a nossa crise civilizatória. O que pode nos inspirar, neste limiar assustador, a optar em criar uma nova performance humana de cuidado, corresponsabilidade e solidariedade, não somente com os outros, mas com nós mesmos e com o futuro?

Precisaremos de novas formas de intervenção e aprendizagem baseadas no respeito pluricultural e no cuidado transcultural, de novas e antigas pedagogias que comovam, inspirem e ofereçam convivências alternativas de beleza social e autorespeito ético. Precisaremos de pedagogias teatrais capazes de formar professores, jovens e artistas com a autoconfiança reflexiva para intervir em todo o espaço humano. Porém, tais pedagogias da vida precisarão ser capazes de nos capacitar a ler e transformar nossos reflexos culturais e imaginação política para evitar a reprodução do passado violentador no futuro.

Isso é o nosso projeto. Baseado em séculos de culturas populares e suas pedagogias dialógicas, e mais de trinta anos de projetos freirianos realizados com comunidades em risco, suas escolas e movimentos sociais, Colheita em Tempos de Seca enraiza os potenciais educativos e transformadores das linguagens artísticas nos saberes da terra, da floresta e dos rios da Amazônia, para contribuir com uma proposta adaptável à qualquer bairro, escola e organização social.

Fruto de uma colaboração de sete anos entre os arteducadores do Instituto Transformance – Dan Baron (autor do livro Alfabetização Cultural e co-fundador da Aliança Mundial pelas Artes e Educação), e Manoela Souza (co-fundadora da Rede Brasileira de Arteducadores) – e cinquenta pedagogos do campo e lideranças comunitárias da Universidade Federal do Pará-Marabá, este livro-CD é um recurso pedagógico e uma obra artística coletiva cuja própria estética busca cultivar a sensibilidade reflexiva e a performance transformadora que o novo paradigma afirma.

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